· Magia e rituais

Bola de cristal: a arte da cristalomancia

Wróżenie z kryształowej kuli – krystalomancja

Muita gente imagina a vidente com uma bola de cristal e um gato preto ao lado. O que essa vidente consegue ver na bola de cristal? Onde aparecem as imagens dos acontecimentos futuros — dentro da bola ou no subconsciente do próprio vidente?

A vidente costumava ser imaginada como uma mulher de cabelos escuros e pele morena, de traços marcantes, testa larga e olhar perspicaz. É vista como alguém que usa lenço, xale, brincos de ouro e tem uma bola de cristal e outros instrumentos divinatórios. Essa imagem veio das videntes ciganas, que a trouxeram para a Europa. A bola de cristal da vidente deve ter 3,8 cm de diâmetro ou ser, no mínimo, do tamanho de uma laranja pequena. É assim que a descreve o místico John Melville. Inclinando-se sobre a bola, a vidente passa a mão direita sobre ela durante alguns minutos para magnetizar a sua superfície. Para usar a bola de cristal, é preciso ter capacidades paranormais, de clarividência. A bola de cristal deve ser um instrumento auxiliar para ver o futuro, assim como as cartas do tarô. Ela deve estimular o subconsciente a receber imagens do futuro.

A tarefa da bola é aumentar a concentração de quem faz a leitura, para que possa deduzir os acontecimentos futuros das imagens que passam pela sua mente.

A bola deve estar impecavelmente limpa. É preciso lavá-la regularmente com água e vinagre ou sabão neutro e, de vez em quando, poli-la com veludo.

Ninguém além do dono deve tocá-la, sobretudo durante a leitura. O ambiente da sessão deve ter iluminação discreta, mas suficiente para se poder ler com tranquilidade. A vidente deve ficar à distância de um braço estendido das outras pessoas.

Fitar a bola de cristal é um método empírico para aumentar a criptestesia, ou seja, a capacidade de clarividência.

Na Idade Média, esse método divinatório era considerado semente do diabo. Em meados do século XII, a leitura da bola de cristal virou moda em grande parte da Europa e no Oriente Médio. Conquistou a simpatia das pessoas comuns. A Igreja, porém, condenou não só a leitura da bola, mas também a astrologia e outros instrumentos de adivinhação, como as cartas.

Antigamente, a arte de prever o futuro pela bola era perseguida como algo vindo do diabo. A essa conclusão chegaram, em 1398, os membros da faculdade de teologia de Paris, que não viam diferença entre a bola de cristal e os espelhinhos de ônix, igualmente difundidos, usados por mulheres suspeitas de praticar bruxaria.

Há muito se sabia que o cristal permite não só olhar o futuro, mas também entrar em contato com o cosmos.

Na Inglaterra, a Igreja quis combater a leitura da bola de cristal, mas a sociedade pouco se importava. Mesmo assim, 300 anos depois, durante um julgamento de rotina, um camponês admitiu ter usado uma bola de cristal para encontrar objetos roubados e foi acusado de heresia.

Foi condenado e obrigado a atravessar a catedral de York com uma tocha acesa numa mão, os livros mágicos que lhe pertenciam na outra e uma placa pendurada no pescoço dizendo que aquele homem era adivinho e invocador de espíritos.

Em parte por causa da oposição da Igreja, em parte por causa de charlatães desonestos e também sob o efeito de uma desilusão geral com esse tipo de prática, a leitura da bola de cristal foi aos poucos cedendo lugar a outros métodos de prever o futuro.

A cristalomancia voltou a crescer no século XIX, quando lorde Lytton admitiu abertamente que tinha uma bola de cristal e a usava para prever o futuro.

De modo geral, o século XIX trouxe interesse pelos antigos métodos de prever o futuro, inclusive pela bola de cristal.

Primeira publicação (original em polonês): 24 de junho de 2011. Escrito por astrólogos e especialistas em esoterismo que colaboram com a nossa redação; revisado e traduzido para o HOROSCOP.SPACE. © Todos os direitos reservados.

Horoscop.space PremiumVeja o seu horóscopo individual