Os hopis são um povo indígena norte-americano que vive há séculos nos planaltos do norte do Arizona, na região conhecida como Four Corners (Quatro Cantos). Seu nome costuma ser traduzido como “povo da paz”. Os hopis se veem como guardiões de um saber antigo, dado aos seres humanos para que vivessem em harmonia com a Terra. Parte de sua tradição trata do futuro – das mudanças que virão quando as pessoas esquecerem o equilíbrio com a natureza. Na literatura esotérica, esses relatos ficaram famosos como “profecias hopi”.
Vale ressaltar desde já que circulam muitas versões dessas profecias. Trata-se sobretudo de relatos orais dos anciãos, registrados e interpretados por diversos autores, muitas vezes de fora da comunidade hopi. Não se devem, portanto, tomar as formulações citadas abaixo como um texto literal e canônico, mas como a tradição na forma em que a literatura a apresenta.
As tábuas de pedra e a Rocha da Profecia
Segundo a tradição hopi, quando seus antepassados emergiram para o mundo atual, receberam do espírito protetor Maasaw tábuas de pedra sagradas com instruções sobre como viver e o que esperar. Essas tábuas, guardadas pelos clãs, são consideradas sagradas e não são exibidas publicamente. À tradição profética liga-se também um petróglifo chamado Rocha da Profecia, situado perto da aldeia de Oraibi, no qual estão representados dois caminhos da humanidade: um em harmonia com a Terra e outro – o caminho da pressa tecnológica, desligado da espiritualidade.
A mensagem revelada ao mundo
Em 1948, os anciãos hopis decidiram transmitir publicamente parte das profecias de seus antepassados. Sua essência é uma advertência: se as pessoas usarem o conhecimento e a técnica apenas para destruir e não mudarem de conduta, a história dos mundos anteriores se repetirá. O grande público conheceu as crenças hopis, entre outros, pelo “Livro dos Hopi”, de Frank Waters (1963), escrito com base em conversas com os anciãos, embora o próprio livro seja criticado por imprecisões. Waters escreveu sobre os hopis que a vida deles é um reflexo do plano universal da criação e que eles nos lembram da necessidade de uma transformação interior, se não quisermos permitir um abismo entre a mente e o coração.
Nesses relatos aparece também o tema da terra: quando estranhos chegarem às terras hopis para extrair delas riquezas valiosas, será o sinal da aproximação da Purificação. Muitos comentaristas associaram esse anúncio às disputas por terras do século XX na região de Black Mesa, onde se explorava carvão, e às remoções dos moradores das áreas em disputa.
Quatro mundos e a chegada do Quinto
De acordo com os relatos hopis, a humanidade já passou por vários mundos, cada um dos quais terminou quando as pessoas se afastaram do caminho certo. Hoje vivemos no Quarto Mundo. As profecias descrevem o conflito, a destruição e, por fim, a renovação como partes de um grande processo de Purificação, depois do qual virá o Quinto Mundo. Na literatura esotérica atribui-se também aos hopis um relato sobre ciclos sucessivos – dos minerais, das plantas e dos animais – depois dos quais virá o ciclo do ser humano.
Os nove sinais
A versão mais citada da profecia enumera nove sinais que antecedem o fim da era atual. Entre parênteses estão as interpretações que os comentaristas lhes deram:
- Primeiro sinal – chegarão homens de pele branca, que tomarão terras que não lhes pertencem e atingirão os inimigos com trovões (a chegada dos europeus com armas de fogo).
- Segundo sinal – as terras verão rodas giratórias cheias de vozes (as carroças dos colonos nas pradarias).
- Terceiro sinal – animais estranhos, parecidos com bisões, mas de chifres longos, povoarão a terra (o gado trazido pelos colonos).
- Quarto sinal – a terra será cortada por serpentes de ferro (as ferrovias).
- Quinto sinal – o país será envolvido por uma gigantesca teia de aranha (as linhas telefônicas e elétricas).
- Sexto sinal – pelo país correrão rios de pedra que refletem o sol (estradas e rodovias).
- Sétimo sinal – o mar ficará negro e muitos seres morrerão (acidentes com petroleiros e vazamentos de óleo).
- Oitavo sinal – jovens de cabelos longos se juntarão às tribos para aprender a sua sabedoria (o movimento hippie).
- Nono sinal – ouviremos falar de uma casa nos céus que cairá com grande estrondo e aparecerá como uma estrela azul (as interpretações variam – o mais comum é apontar as estações espaciais).
Os comentaristas leram nos relatos hopis também anúncios de acontecimentos do século XX. A frase sobre “três grandes forças – do Sol, da suástica e do vermelho” foi associada à Segunda Guerra Mundial, e as palavras sobre um irmão que trará o símbolo do Sol e causará uma explosão que abalará a Terra – à bomba atômica. Em algumas interpretações, as explosões de Hiroshima e Nagasaki e os testes nucleares posteriores são vistos como o início de uma grande provação para a humanidade.
Escolha em vez de sentença
Embora as profecias hopi falem de destruição, sua mensagem mais importante não é o medo. Segundo os relatos, ao lado do caminho da destruição existe outra saída: depende das pessoas guiar-se apenas pela razão ou também pelo coração e pelo respeito à Terra. Nos anos anteriores a 2012, muitos autores da Nova Era associaram esses relatos à expectativa de um salto de consciência e da “passagem para o Quinto Mundo”. Independentemente dessas interpretações, a tradição hopi continua sendo, acima de tudo, uma narrativa sobre a responsabilidade do ser humano pelo mundo em que vive.
