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Psicotrônica: o que é e como funciona

Psychotronika – czym jest i jak działa

Psicotrônica é o nome de um campo que se ocupa da suposta influência da mente humana sobre o ambiente, a matéria e outras pessoas de um modo que os mecanismos físicos conhecidos não explicam. O termo se popularizou nos anos 1960 e 1970 na Tchecoslováquia, onde era usado, entre outros, por Zdeněk Rejdák, e de lá chegou a outros países da Europa Central, incluindo a Polônia. A psicotrônica reúne parapsicologia, radiestesia, técnicas de trabalho com a mente, adivinhação e cura não convencional.

Vale deixar claro desde já que o status científico da psicotrônica é controverso: os fenômenos de que ela trata não foram confirmados em pesquisas sérias e controladas, e a maioria dos cientistas a considera uma pseudociência. A seguir, mostramos como os seus próprios adeptos entendem as suas áreas — como crenças e práticas, e não como conclusões da ciência.

1. A parapsicologia e o conceito de psi

O conceito de psi foi proposto como um termo neutro que abrange os mais variados fenômenos “parapsicológicos” — livre dos pressupostos que trazem consigo termos como psicocinese, telepatia, fenômenos espíritas, aporte, teletransporte ou exteriorização (a experiência de sair do corpo).

O principal problema é que esses termos não têm definições precisas, que indiquem com clareza que fenômeno pode ser incluído no psi e qual deve ser excluído. Psi costuma ser definido como um “fator desconhecido” nas experiências psíquicas — um fator que agiria fora dos canais sensoriais convencionais.

2. Radiestesia

Antigamente, a radiestesia era entendida apenas como a arte de detectar água subterrânea com uma forquilha ou um pêndulo. Hoje os seus adeptos a usam também para procurar objetos, localizar os chamados veios de água ou avaliar a “energia” de lugares. Distinguem-se dois tipos:

  • Radiestesia física – tirar conclusões do movimento do pêndulo ou da forquilha sem fazer nenhuma pergunta, por exemplo ao percorrer um terreno em busca de água.
  • Radiestesia mental – o radiestesista faz perguntas em pensamento e lê o movimento do pêndulo como resposta “sim” ou “não”; muitas vezes trabalha sobre um mapa, uma planta ou um gráfico especial, sem estar no local.

Os movimentos do pêndulo e da forquilha costumam ser explicados pelo efeito ideomotor, descrito já no século XIX: pequenos movimentos musculares inconscientes que refletem as expectativas de quem segura o instrumento. Em testes controlados, os rabdomantes não se saíram melhor do que o acaso permitiria.

3. Ondas cerebrais e a “programação” da mente

Os adeptos da psicotrônica acreditam que, “afinando” adequadamente a mente e a sua base física — o cérebro —, é possível moldar conscientemente a própria vida e o ambiente. Existem muitas técnicas desse tipo; a maioria consistiria em sincronizar o funcionamento dos dois hemisférios cerebrais num ritmo comum, geralmente no estado alfa. O primeiro passo é aprender a baixar a frequência das ondas cerebrais por meio de técnicas simples de relaxamento e visualização. Essa frequência muda muitas vezes ao longo do dia, e isso fica mais evidente à noite: quando deitamos a cabeça no travesseiro e fechamos os olhos, o cérebro desacelera sozinho para podermos descansar.

A atividade elétrica do cérebro é medida por EEG, e os seus ritmos são divididos em algumas faixas de frequência. Elas estão ligadas a diferentes estados mentais; os adeptos da psicotrônica associam algumas delas também a experiências paranormais.

  • Ondas delta (cerca de 0,5–4 Hz) – predominam no sono profundo, em que não temos consciência do ambiente.
  • Ondas teta (cerca de 4–8 Hz) – aparecem na sonolência, no sono leve e na meditação profunda; são acompanhadas de imagens e fortes vivências emocionais. Segundo os adeptos da psicotrônica, são um bom ponto de partida para experiências parapsíquicas.
  • Ondas alfa (cerca de 8–13 Hz) – características da vigília relaxada, sobretudo de olhos fechados, e do devaneio. Os adeptos da psicotrônica associam essa faixa a estados hipnóticos e a vivências parapsíquicas.
  • Ondas beta (cerca de 13–30 Hz) – acompanham o pensamento ativo e a realização das tarefas cotidianas; é o ritmo típico da mente desperta e concentrada.
  • Ondas gama (acima de cerca de 30 Hz) – associadas à concentração intensa e à integração das informações vindas de diferentes sentidos.

Quando adormecemos, o cérebro passa do ritmo beta pelo alfa e pelo teta até o sono profundo, em que predominam as ondas delta. Mas o sono não é uniforme: é formado por ciclos de cerca de 90 minutos, que se repetem algumas vezes durante a noite. A maior parte do sono profundo cai na primeira metade da noite, e perto do fim se alongam as fases de sono REM, em que temos os sonhos mais vívidos e o registro do EEG lembra o estado de vigília.

Segundo os adeptos da psicotrônica, para usar as capacidades parapsíquicas é preciso aprender a levar o cérebro ao estado alfa ou teta e mantê-lo ali sem adormecer — pelo tempo que se quiser. É o que descreve, entre outros, William W. Hewitt num livro sobre o desenvolvimento das capacidades parapsíquicas. Entre os métodos mais populares estão:

  • Visualização – imaginar imagens e situações, o que deveria facilitar alcançar o estado teta a qualquer momento e usá-lo para experiências que os adeptos chamam de parapsíquicas.
  • Huna – sistema descrito no século XX por Max Freedom Long, que o apresentava como um saber antigo dos sacerdotes havaianos; os seus adeptos o consideram uma das bases do trabalho com o subconsciente, embora os historiadores questionem a sua suposta origem ancestral.
  • Método Silva – conjunto de técnicas de trabalho com a mente no estado alfa, desenvolvido nos anos 1960 por José Silva; tem muitos adeptos no mundo inteiro.
  • Gravações de sincronização dos hemisférios – método desenvolvido por Robert A. Monroe, que usa gravações sonoras especialmente preparadas (os chamados batimentos binaurais), que deveriam ajudar a “sintonizar” o cérebro.

Relaxamento, visualização e meditação podem ajudar a acalmar a mente e a se concentrar melhor. Não há, porém, provas confiáveis de que levar o cérebro a um determinado ritmo permita desenvolver capacidades paranormais.

4. Adivinhação

Adivinhação é toda previsão do futuro baseada em premissas que não são racionais. Fazem parte dela:

  • A arte divinatória – a tentativa de avaliar a situação atual de uma pessoa e prever o futuro a partir de uma disposição aparentemente casual de símbolos (cartas comuns, tarô, runas, horóscopos, numerologia) ou por outras técnicas, como a quiromancia ou o pêndulo.
  • Precognição – suposta forma de percepção extrassensorial. A palavra significa literalmente “saber de antemão”. Quem acredita nela descreve que os acontecimentos futuros passam diante dos seus olhos como um filme e que a informação chega a distância, sem que a pessoa esteja no local. O conceito foi introduzido, entre outras razões, para poder ser estudado com testes especiais — mas os seus resultados não provaram a existência do fenômeno.
  • Clarividência – segundo os adeptos, a capacidade de perceber coisas fora do alcance dos sentidos: “ver” com nitidez, sem nenhum contato físico, o que acontece num lugar distante e também em outro tempo — os clarividentes reconstituiriam acontecimentos passados e preveriam os futuros. Na forma mais simples, é um forte pressentimento de que algo vai ou não acontecer. Os adeptos dessa ideia consideram que era uma capacidade inata que ajudava os seres humanos primitivos a sobreviver e que, com o desenvolvimento da escrita e da linguagem, as pessoas passaram a usá-la cada vez menos.

5. Cura: a bioenergoterapia

A bioenergoterapia é uma forma de cura não convencional que consistiria em tratar por meio da chamada energia biológica. A psicotrônica aceita sem reservas a existência e a ação dessa energia: a sua fonte seria o Universo, e o bioenergoterapeuta apenas dirigiria o seu fluxo no corpo do paciente durante a sessão. A existência dessa energia não foi confirmada cientificamente, e a eficácia da bioenergoterapia não foi demonstrada em pesquisas — ela não pode substituir o tratamento médico.

Psicotrônica e ciência

A psicotrônica continua sendo um conjunto de crenças e práticas que, para muitas pessoas, têm significado pessoal e espiritual. Quem quiser se interessar por ela deve lembrar que as suas afirmações não foram confirmadas cientificamente e encará-la mais como um fenômeno cultural do que como um conhecimento comprovado sobre o ser humano.

Primeira publicação (original em polonês): 2 de novembro de 2008. Escrito por astrólogos e especialistas em esoterismo que colaboram com a nossa redação; revisado e traduzido para o HOROSCOP.SPACE. © Todos os direitos reservados.

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