Wicca – nome de uma religião neopagã difundida na Europa e nos Estados Unidos. Foi fundada por um funcionário público britânico aposentado, Gerald B. Gardner, provavelmente nos anos 1940, mas só se tornou pública em 1951. Desde então ganhou grande popularidade e se dividiu em alguns grandes e mais de dez ramos menores, chamados tradições. Originalmente, porém, por Wicca se entendia apenas a tradição criada por Gardner — uma religião iniciática de mistérios, que remete a tradições pré-cristãs.
No início, essa religião era designada pela palavra Wicca, cuja origem está no termo anglo-saxão wicca, que significa feiticeiro (da forma feminina wicce vêm as palavras modernas “witch” e “witchcraft”). Gerald Gardner usava como sinônimos os termos “wicca” (que grafava “wica”) e “witchcraft”.
A Wicca foi iniciada por Gerald B. Gardner, que, nos anos 1930, encontrou na Inglaterra, nos arredores de New Forest, um coven secreto. Esse grupo cultivaria as tradições da antiga religião das bruxas. Nele, Gardner teria sido iniciado por Dorothy Clutterbuck. A existência do grupo foi anunciada oficialmente em 1951, quando o Reino Unido, um dos últimos países da Europa a fazê-lo, revogou a legislação que obrigava a perseguir as bruxas.
Não há consenso sobre se Gardner realmente descobriu restos de um culto de bruxas ou se criou a Wicca a partir das próprias leituras, experiências e fascínios. Sabe-se que antes ele tinha sido iniciado na Ordo Templi Orientis, de Aleister Crowley. Há também relatos que atribuem a Gardner ligações com a maçonaria. Com toda a certeza, porém, ao criar os princípios da Wicca, Gardner se inspirou nas teses de Margaret A. Murray, egiptóloga e antropóloga britânica. Em 1921, ela publicou o livro “The Witch-Cult in Western Europe” (“O culto das bruxas na Europa Ocidental”), no qual afirmava que desde o Neolítico se desenvolvia na Europa um “culto de Diana” matriarcal. Esse culto seria uma espécie de contrarreligião em relação ao cristianismo dominante, e entre as suas seguidoras estariam, entre outras, as bruxas e também alguns membros de casas reinantes. Hoje as teses de Margaret Murray são recebidas com ceticismo e dividem tanto etnólogos, antropólogos e estudiosos da religião quanto os próprios wiccanos no mundo todo. A teoria de Murray fez com que a Wicca seja frequentemente, e de forma equivocada, chamada de “Antiga Religião” (“The Old Religion”).
Depois da morte de Gerald B. Gardner, em 1964, a Wicca se dividiu em várias tradições, e estas, em outras tradições. Ainda em vida de Gardner surgiram pessoas (como Robert Cochrane) que reivindicavam ter descoberto o culto das bruxas ou dado continuidade a ele por muitos anos.
Hoje a Wicca, na convicção dos seus adeptos, tem chance de se tornar uma das religiões mais populares do mundo — só nos Estados Unidos o número de wiccanos é estimado em cerca de 300 mil. Em setembro de 1986, um Tribunal Federal de Apelações reconheceu que a Wicca é uma religião protegida pela Constituição dos EUA.
As principais tradições wiccanas
O número de tradições wiccanas chega a algumas dezenas. A seguir, apresentamos apenas algumas das mais populares.
A Wicca Tradicional Britânica (em inglês British Traditional Wicca, abreviada como BTW, termo cunhado por pagãos americanos) abrange, nas Ilhas Britânicas, duas tradições: a tradição gardneriana (também chamada Wicca gardneriana) e a tradição alexandrina (também chamada Wicca alexandrina).
Nos Estados Unidos, algumas outras tradições também são incluídas na BTW. No Reino Unido, as pessoas iniciadas numa tradição muitas vezes são reconhecidas também na outra. Nos EUA, a situação é um pouco diferente: as divisões são mais nítidas.
Tradição gardneriana – a tradição mais antiga, cujo nome vem do sobrenome do fundador, Gerald B. Gardner. O ingresso num coven gardneriano deve ser precedido pela iniciação, e esta, por uma preparação que tradicionalmente dura um ano e um dia. O curso detalhado da formação que prepara para a iniciação é secreto, assim como os detalhes dos ritos gardnerianos (transmitidos apenas aos membros do coven). Sabe-se, porém, que esses ritos se basearam em parte na magia cerimonial clássica. Os gardnerianos dão enorme ênfase ao contato individual com a divindade e com as mudanças cíclicas da natureza. O caminho para a experiência religiosa pessoal é a participação nos mistérios wiccanos.
Tradição alexandrina – fundada nos anos 1960 por Alex Sanders e baseada quase inteiramente nos princípios gardnerianos. O termo “Alexandrian Wicca” foi usado pela primeira vez por Stewart Farrar, jornalista britânico e divulgador da Wicca. A diferença básica é que a sua linhagem iniciática deriva de Alex Sanders e que ela dá mais ênfase ao caráter cerimonial do ritual.
Tradições menores, geralmente não chamadas de tradições:
- Tradição diânica – fundada nos anos 1970 por Zsuzsanna Budapest. Remete à teoria de Margaret A. Murray e reconhece apenas a existência da Deusa, deixando de lado o Deus.
- Tradição correlliana – fundada por Orpheis Caroline High-Correll (segundo relatos orais, isso teria ocorrido em 1879, antes do surgimento da Wicca como religião). Essa tradição dá ênfase especial ao culto dos antepassados.
Tradição minoica – fundada por Edmund M. Buczynski no final dos anos 1970. O panteão dessa tradição foi tirado da mitologia pré-dórica (anterior à grega) e remete também à herança da cultura minoica, enquanto os ritos são muito parecidos com os gardnerianos.
- Tradição eclética (Eclectic Wicca) – inspira-se em diversos panteões (escolhidos livremente pelo adepto). Por causa dessa liberdade, que gera mal-entendidos, muitas vezes lhe é negado o direito de se chamar Tradição.
Além disso, os wiccanos se dividem entre os que pertencem a grupos e os que praticam sozinhos. O número destes últimos é, por razões óbvias, difícil de estimar.
Os detalhes sobre as ideias, rituais, feitiços e outros ensinamentos de cada tradição costumam estar nos Livros das Sombras, próprios de cada tradição ou coven.
Princípios fundamentais
A Wicca é uma comunidade de prática, e não uma comunidade de fé. As crenças de cada wiccano podem variar bastante. O que os une são os ritos celebrados em conjunto e a prática da magia.
Os wiccanos cultuam um par de divindades, a Deusa e o Deus. Na BTW, os nomes das divindades são mantidos em segredo e conhecidos apenas pelos iniciados. Na Wicca eclética, cultua-se um par de divindades escolhido livremente. A essência do culto é o equilíbrio entre o princípio masculino e o feminino.
Eles simbolizam a natureza dupla do universo, a existência de princípios opostos, mas que tendem ao equilíbrio — masculino e feminino, luz e trevas, criação e destruição. A própria natureza é sagrada para os wiccanos e é vista por eles como um grande teatro da vida, da morte e do renascimento.
Um papel especial na Wicca é desempenhado pela Deusa, muitas vezes representada em forma tríplice: como donzela, mãe e anciã. O símbolo da Deusa nos seus três aspectos é a Lua nas três fases: crescente, cheia e minguante. Vale notar, porém, que a Deusa wiccana tem também a chamada Face Escura (simbolizada pela Lua Nova), objeto de culto num dos ramos do neopaganismo, chamado paganismo das sombras (dark paganism).
Ética. Na Wicca não existe um sistema ético único. Considera-se que cada ser humano é dotado de livre-arbítrio e decide por si mesmo sobre a sua conduta. Os wiccanos não reconhecem a divisão entre bem e mal: são dois lados do mesmo poder e formam, portanto, um todo. Por isso, na Wicca não existe o conceito de pecado nem de castigo por ele. O ser humano, como ser dotado de razão e livre-arbítrio, pode influenciar o mundo à sua volta e o curso dos acontecimentos por meio da ação, inclusive pelo uso da magia. Mas arca sozinho com as consequências dos seus atos (também dos atos mágicos) por força da Lei Tríplice, que diz que “tudo o que você fizer voltará a você três vezes”.
Recomenda-se que o wiccano siga dois princípios:
A Lei Tríplice (Threefold Law): “Tudo o que você fizer, de bem ou de mal, voltará a você três vezes.”
A Rede Wiccana (Wiccan Rede): “Se não prejudicar ninguém, faça a sua vontade” (“An it harm none, do what ye will”).
Alguns sustentam que esses princípios são apenas uma espécie de instrução de segurança mágica e não princípios éticos. Outros, porém, derivam deles um sistema ético que seguem na vida diária.
Vale lembrar que a Rede Wiccana é justamente um conselho, e não um mandamento rígido.
Festividades wiccanas
Os wiccanos celebram as chamadas festas lunares (esbás) e as festas solares (sabás). As festas lunares são todas as Luas Cheias do ano. Já as festas solares estão ligadas à órbita da Terra em torno do Sol e, por consequência, à estação do ano e ao calendário agrícola.
Originalmente, os wiccanos celebravam apenas os sabás maiores. Com o tempo, porém, foram incluídos também os sabás menores, formando o chamado ciclo da Roda do Ano. Cada festa é um raio da Roda do Ano.
A maioria das festas wiccanas tem equivalentes nas festas celebradas na Europa pré-cristã.
Elas se dividem em sabás maiores:
- Imbolc – 1º de fevereiro
- Beltane – 30 de abril/1º de maio
- Lammas (Lughnasadh) – 1º de agosto
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Samhain – 31 de outubro
E em sabás menores (equinócios e solstícios):
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Equinócio de primavera – 21 de março
- Solstício de verão – 21 de junho
- Equinócio de outono – 22 de setembro
- Solstício de inverno, chamado Yule – 21 de dezembro
Para o equinócio de primavera, o solstício de verão e o equinócio de outono usam-se às vezes os nomes Ostara, Litha e Mabon. Esses nomes são mais usados pelos wiccanos ecléticos, enquanto os wiccanos tradicionais (BTW) usam os primeiros.
O símbolo da Wicca é o pentagrama, cujas cinco pontas se referem aos quatro elementos (ar, fogo, água e terra) e ao elemento espírito (akasha) como quinta ponta.
A Wicca na Polônia
Os primeiros wiccanos (também se usam as grafias polonesas “wikanie” e “wikkanie”) provavelmente surgiram na Polônia depois de 1989. Nada se sabe com certeza sobre a presença de wiccanos em anos anteriores.
Atualmente, a Wicca não é uma confissão registrada na Polônia. A própria forma do culto praticamente impede o seu registro. Cada coven é uma unidade autônoma de até 13 pessoas, portanto não cumpre os critérios de registro.
Entre os poloneses que se identificam com a Wicca predominam os chamados wiccanos ecléticos (não iniciados em nenhuma das tradições). Eles se encontram e se comunicam sobretudo por listas de discussão na internet, das quais a mais antiga era o grupo wicca-pl, criado em 2000 e que já não existe. Uma lista ainda ativa dedicada exclusivamente à Wicca é a Wicca-ABC, criada em 2003. Existem também alguns fóruns sobre temas pagãos em que os wiccanos participam, como o “Forum Neopogan”, o “Forum Czarostwa Belladonny”, o “Forum Rozstaje” e o fórum da Federação Pagã Internacional.
Nos últimos anos, surgiu na Polônia um pequeno grupo de wiccanos iniciados na BTW.
Ainda faltam traduções polonesas dos livros mais valiosos sobre a Wicca e o paganismo, por isso o conhecimento dos poloneses sobre o tema muitas vezes é incompleto. Por esse motivo, um grande problema — como em todo o mundo — passou a ser o grande número de “fluffy bunnies” (adeptos superficiais).
Primeira publicação (original em polonês): 3 de março de 2009. Escrito por astrólogos e especialistas em esoterismo que colaboram com a nossa redação; revisado e traduzido para o HOROSCOP.SPACE. © Todos os direitos reservados.
